Sagrado pelo nome, local foi por 80 anos um pólo de educação religiosa e segue preservando história e riqueza cultural.

Estrutura foi inaugurada em 1932 e serviu como formação de padres durante oito décadas - Fotos: Eduardo Montecino/OCP Online

A estrutura que tem influências da arquitetura germânica impressiona pelo tamanho e beleza. Carregando muito sobre fé, religião e arte em cada canto, o Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Corupá, é um berço histórico e um “velho conhecido” ponto turístico da região. Mais do que um amplo espaço para visita e realização de eventos, tanto na área externa quanto em espaços internos, o local guarda uma riqueza cultural e histórica ímpar em cada um de seus prédios, que são preservados e tratados como verdadeiros tesouros.

Durante 80 anos, todo o local serviu como base para os estudos sacerdotais e chegou, nos tempos áureos, a receber 230 seminaristas. Afinal, foi exatamente por isso que o seminário começou a ser construído em 1929 e inaugurado em 1932 . Quando abrigava os estudantes, o seminário dispunha de alojamentos coletivos, banheiros, cozinha industrial, lavanderia, padaria, açougue, bibliotecas, salas de estudos, anfiteatro, sala de jogos e área esportiva, além de capela e um viveiro. Hoje, com 84 anos de idade, o Seminário mantém toda a estrutura original, sem modificações estruturais, porém, alguns espaços foram otimizados para o necessário uso.

O silêncio que paira sobre o Seminário remete a tudo que o que viveu e vive naquele ambiente. Natureza, lazer, história e religião se integram no espaço que guarda em suas paredes 84 anos de história. Para que nada se perca, nem todos os ambientes são abertos para a visitação do público em geral, mas muita coisa acontece por lá. O Museu mais antigo de Santa Catarina está abrigado na construção, a capela que foi construída para atender aos seminaristas hoje é disputada por noivos que querem se casar lá, café colonial, loja de souvenir religiosos, restaurante e espaços para lazer e prática esportiva são algumas das opções desfrutadas pelos visitantes. Além disso, o local é sede da Fábrica de Velas e da fabricação da tradicional bebida Bitter.

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Seminário hoje
Desde 2012 o Seminário Sagrado Coração de Jesus deixou de ser uma casa de formação religiosa para padres. Atualmente, o local é a sede provincial da Província Brasil Meridional dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, congregação da qual pertence. Nele, vivem quatro padres e um em formação, que atuam na parte gestora da província, e trabalham dez funcionários que cuidam desde a área administrativa, museus até a área externa.

Os ambientes como o Teatro José Anchietta, inaugurado em 1955, além de outro anfiteatro e a ala que serve de alojamento, são comumente alugados para a realização de eventos locais, regionais e até nacionais, além de encontros e retiros religiosos.

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Museu reúne acervo de 30 mil objetos
O seminário detém o museu mais antigo de Santa Catarina. Levando o nome de Irmão Luiz Godofredo Gartner, que o fundou no ano de 1933, o local hoje abriga duas exposições e conta com um rico acervo de materiais para futuras exibições nos três andares da ala chamada de “Década de 50”. O primeiro andar recebe a exposição histórica: “Seminário de Corupá: Fé, Construção, Formação e Recanto de Paz”.

Em quatro módulos, ela conta a história da Congregação dos Padres, do fundador da Congregação, Padre Dehon, a construção do Seminário em Corupá, o cotidiano da Escola Apostólica Sagrado Coração de Jesus e exibe o mão-pelada, um dos primeiros exemplares do museu, que introduz a exposição de animais taxidermizados, localizada no piso superior. Nesse mesmo piso está localizada a capela de uso dos padres que moram no seminário. No futuro, de acordo com a historiadora Joice Jablonski e a bióloga Bruna Winter, responsáveis pelo museu, a ideia é instalar uma exposição de arte sacra nesse ambiente. Mensalmente, o museu recebe cerca de 500 visitantes.

O terceiro andar é destinado para a reserva técnica do acervo que conta com cerca de 30 mil itens, entre objetos de arte sacra, mineralogia, numismática (cédulas e moedas), horologia (relógios), etnografia, colecionismo (chaveiros, embalagens de cigarros, entre outros itens), além de materiais da banda do seminário e outros objetos que eram de uso da entidade.

 

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1- Primeira Ala do Seminário
O prédio de tijolo à vista foi o primeiro construído para compor o Seminário Sagrado Coração de Jesus. Hoje, o local é a casa dos padres e a sede provincial da Província Brasil Meridional dos Padres do Sagrado Coração de Jesus.

2 – Museu Ir. Luiz Godofredo Gartner
A ala chamada de “Década de 50” começou a ser construída em 1951 com salões de estudos e dormitórios. Atualmente os três andares são ocupados pelo Museu Ir. Luiz Godofredo Gartner, com duas exposições e um andar de reserva técnica.

3 – Ala “Década de 60”
Foi construída a partir da necessidade de novas instalações, como cozinha, lavanderia, salas de aula e dormitórios, em 1964. O local continua com a mobília e equipamentos originais, servindo de dormitórios quando o Seminário recebe retiros ou outros eventos.

4 – Igreja
A construção começou em 1953, sob responsabilidade do padre Antônio Echelmeyer e foi inaugurada três anos mais tarde. A capela apresenta ricos detalhes em sua arquitetura, que revelam a espiritualidade numa verdadeira obra sacra. O interior é todo decorado com detalhes em pinturas e ornamentos e são três altares: os laterais dedicados a Nossa Senhora e São José, o central com a imagem do Sagrado Coração de Jesus, Padroeiro da Congregação, e acima dele uma cúpula com a pintura de Cristo Rei, obra prima de Padre Antonio Echelmeyer . Atualmente ocorrem missas dominicais, batizados e casamentos.

5 – Capela dos padres
No mesmo andar onde está instalado o Museu, existe uma pequena capela de uso restrito aos religiosos que residem no seminário.

6 – Teatro José Anchieta
O local foi inaugurado em 1955 e serviu como palco para importantes apresentações teatrais, coral e banda dos seminaristas. Hoje o espaço, que comporta cerca de 300 pessoas, é usado em eventos.

7 – Jardim temático
Em frente ao prédio mais antigo do seminário está o jardim em estilo europeu, desenhado e projetado pelo irmão Luiz Godofredo Gartner em 1932.

8 – Café colonial e exposição sobre Padre Aloísio Boeing
O prédio de tijolo à vista comporta também o Café Colonial, banheiros, a sala de aula mais antiga – usada hoje como anfiteatro – e uma exposição em homenagem ao padre Aloísio Boeing, que foi aluno da primeira turma do seminário.

9 – Restaurante
Com a construção iniciada em 1968, o Salão de Jogos Padre Fernando Suedbeck hoje é o espaço utilizado pelo restaurante do seminário.

10 – Paraíso do Irmão Luís
O espaço onde funcionava o viveiro, criado pelo Irmão Luís Godofredo Gartner, se tornou no Paraíso do Irmão Luís. Foi construída uma sala ao ar livre, com equipamentos usados nas salas do seminário, para se trabalhar a educação ambiental e a conexão do museu com esse lado ecológico durante as visitas escolares.

11 – Loja
A loja de souvenir também fica no prédio de tijolo a vista. Nela são comercializados artigos religiosos, velas fabricadas no próprio seminário e também a Bitter, uma bebida produzida pelos padres e que, até há um tempo atrás, era reservada apenas para os religiosos do seminário.

SERVIÇO
Museu Ir. Luiz Godofredo Gartner – 
Durante a semana, de terça-feira até sábado, a visita se dá mediante ao agendamento prévio.  O atendimento é das 8 às 16 horas. Nos domingos, o museu abre das 12h30 às 17 horas e na segunda-feira é fechado. Ingressos custam R$ 7 (inteira) e R$ 3,50 (meia-entrada)

Restaurante – De abril a setembro, toda quinta-feira, Noite das Sopas e nas sextas happy hour com petiscos e bebidas. Toda sexta o valor é R$ 25 por pessoa, buffet livre. Aos domingos o almoço começa a ser servido a partir das 11h30, até 14h30. O valor é R$ 32 por pessoa, livre.

Café Colonial – Domingos das 14 às 18h30 e o valor R$ 25 por pessoa, livre. ** Agendamento de almoços, café colonial ou eventos pelo telefone (47) 3375-0071 ou pelo e-mail restaurante@seminariodecorupa.com.br

Capela – Todos os domingos, missa às 10 horas.

FONTE: Jornal o Correio do Povo.